A Binance não foi hackeada. Mas sua conta pode estar em risco.

A Binance não foi hackeada, mas 420 mil credenciais de usuários dela estão expostas na internet agora mesmo.

Um pesquisador ucraniano descobriu um banco de dados gigantesco (149 milhões de senhas) jogado na internet sem qualquer proteção.

Gmail, Facebook, Instagram, Netflix… e exchanges de cripto. As plataformas continuam seguras. A brecha está nos dispositivos infectados por malwares que roubam dados silenciosamente.

Eu precisava trazer esse assunto pra você hoje.

Quando vi a notícia, meu primeiro instinto foi o mesmo que o seu provavelmente está sendo agora: “será que eu tô nessa lista?”

E a resposta honesta é que ninguém sabe ao certo.

O banco de dados já foi derrubado. Mas cópias desse tipo de arquivo se espalham rápido pela dark web.

Então, nesta edição, eu vou te explicar exatamente o que aconteceu, como esses dados foram roubados (spoiler: a culpa não é da Binance), e, o mais importante, o que você precisa fazer nos próximos 10 minutos pra proteger suas contas.

Isso vale pra Binance e pra qualquer outra corretora onde você tenha dinheiro.

O que realmente aconteceu

O pesquisador de cibersegurança Jeremiah Fowler encontrou algo que não deveria existir: um banco de dados com 149 milhões de credenciais, totalmente aberto, sem senha, sem criptografia.

Qualquer pessoa com o link certo podia acessar.

Eram 96 GB de dados brutos. E-mails, nomes de usuários, senhas e até URLs de login direto pras contas.

A lista de plataformas afetadas impressiona:

  • Gmail: 48 milhões
  • Facebook: 17 milhões
  • Instagram: 6,5 milhões
  • Yahoo: 4 milhões
  • Netflix: 3,4 milhões
  • Outlook: 1,5 milhão
  • TikTok: 780 mil
  • Binance: 420 mil
  • iCloud: 900 mil

Fowler também encontrou credenciais de domínios .gov de vários países, inclusive registros do gov.br brasileiro.

Só que a Binance não sofreu nenhuma invasão. Os sistemas internos da exchange continuam intactos e a plataforma está operando normalmente.

Então de onde vieram esses dados?

O próprio Fowler explicou: as credenciais foram coletadas por malwares do tipo “infostealer” instalados nos dispositivos das vítimas.

Ou seja, os hackers não atacaram a Binance. Atacaram os computadores e celulares dos usuários e copiaram tudo que encontraram.

O banco de dados ficou exposto por semanas antes de ser derrubado.

E uma vez que esse tipo de arquivo vaza, cópias se espalham. O estrago de longo prazo é difícil de controlar.

O ladrão silencioso

Você provavelmente nunca ouviu falar em infostealer. E esse é justamente o problema, porque ele foi feito pra passar despercebido.

Um infostealer é um tipo de malware com uma única missão: roubar informações do seu dispositivo.

Senhas salvas no navegador, cookies de sessão, dados de preenchimento automático, carteiras de cripto.

Tudo que estiver armazenado, ele copia e envia pra um servidor controlado por criminosos.

A analogia mais simples é essa: imagine um ladrão que não arromba sua porta.

Ele entra na sua casa enquanto você dorme, tira uma cópia de todas as suas chaves, e vai embora sem deixar rastro.

Você acorda no dia seguinte achando que está tudo normal e só descobre o roubo quando alguém usa aquela cópia pra abrir seu cofre.

É exatamente assim que um infostealer funciona.

Como ele chega no seu dispositivo?

Os caminhos mais comuns são:

  • Downloads de fontes duvidosas — programas piratas, cracks, mods de jogos
  • Anexos de e-mail — arquivos que parecem inofensivos
  • Links maliciosos — promoções falsas, páginas clonadas
  • Extensões de navegador — algumas coletam dados sem você saber

Uma vez instalado, o malware opera em segundo plano. Sem alertas.

Sem lentidão perceptível. Ele simplesmente coleta e envia enquanto você continua usando o computador normalmente, sem desconfiar de nada.

Os dados roubados vão parar em bancos como o que Fowler descobriu. Organizados por plataforma, indexados por vítima, e prontos para serem usados em ataques automatizados ou vendidos na dark web.

A vítima só descobre quando já é tarde demais.

Por que você deve agir

Ter a senha da Netflix vazada é um inconveniente, mas ter a senha da sua exchange vazada pode custar todo o seu patrimônio em cripto.

Essa é a diferença fundamental.

Criminosos sabem disso. Por isso, credenciais de plataformas financeiras e exchanges são as mais valiosas nesses bancos de dados. Elas permitem acesso direto a dinheiro.

E o ataque nem precisa ser manual. Existe uma técnica chamada credential stuffing: robôs testam automaticamente milhares de combinações de e-mail e senha em diversas plataformas.

Se você usa a mesma senha na Binance e no Facebook, basta uma delas vazar. O robô faz o resto.

O banco de dados que Fowler encontrou estava organizado justamente pra isso.

Registros indexados por plataforma, com URLs de login direto. Tudo pronto pra ataques em escala.

Agora pensa comigo: 420 mil credenciais referenciando a Binance. Mesmo que apenas 1% ainda esteja ativo e vulnerável, são 4.200 contas em risco.

A sua pode ser uma delas.

E diferente de um banco tradicional, transações em cripto são irreversíveis. Se alguém acessa sua conta e transfere seus ativos, acabou. Não tem estorno, não tem seguro, não tem como reverter.

A única proteção real é agir antes.

Seu plano de defesa

Chega de teoria. O que você precisa fazer hoje (de preferência, nos próximos minutos).

1. Troque sua senha na Binance

Se você usa a mesma senha em outros sites, a troca é ainda mais urgente.

Lembra da analogia da chave? Usar a mesma senha em vários lugares é como ter uma única chave pra casa, carro, escritório e cofre do banco. Se alguém copia essa chave uma vez, tem acesso a tudo.

Crie uma senha forte: longa, com letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos. Nada de datas de aniversário ou nomes de pets.

2. Ative a verificação em dois fatores (2FA)

Esse é o passo mais importante.

O 2FA funciona como uma segunda fechadura na porta. Mesmo que alguém descubra sua senha, ainda precisa de um código extra pra entrar.

Use um aplicativo autenticador (Google Authenticator, Authy) em vez de SMS.

Ataques de SIM swap podem interceptar códigos enviados por mensagem de texto. O app é mais seguro.

3. Use um gerenciador de senhas

Você não vai conseguir memorizar senhas fortes e únicas pra cada site. Ninguém consegue.

Um gerenciador de senhas resolve isso.

Ele cria senhas complexas automaticamente, armazena tudo de forma criptografada e preenche os campos de login pra você.

A única senha que você precisa lembrar é a do próprio gerenciador.

O aplicativo que eu uso é o Dashlane.

Ele também monitora vazamentos na dark web e te avisa se alguma credencial sua aparecer exposta.

4. Faça isso em todas as suas exchanges

Binance, Coinbase, Kraken, OKX ou qualquer plataforma onde você tenha conta. O processo é o mesmo. Senha forte + 2FA + gerenciador.

Dez minutos de trabalho podem evitar meses de dor de cabeça.

Proteja-se agora

Um banco de dados com 149 milhões de credenciais foi encontrado exposto na internet. Entre elas, 420 mil fazem referência à Binance.

A exchange não foi hackeada, o problema veio de malwares que infectaram os dispositivos dos próprios usuários e copiaram suas senhas silenciosamente.

Esse tipo de vazamento não tem como ser desfeito. Uma vez que os dados estão lá fora, eles se espalham. Cópias circulam na dark web por anos.

A boa notícia: você pode se proteger agora.

Crie uma senha forte e única, faça a verificação em dois fatores, use o gerenciador de senhas. Três camadas de defesa que transformam sua conta num alvo muito menos atraente.

A Binance segue operando normalmente. A pergunta é: a sua conta está protegida? Troque sua senha. Ative o 2FA. Faça isso agora.

Radar de Mercado

Fed decide juros hoje

O Comitê de Política Monetária dos EUA (FOMC) se reúne esta semana.

A expectativa do mercado é de manutenção da taxa entre 3,5% e 3,75%, a ferramenta FedWatch do CME Group aponta 97% de probabilidade pra isso.

O cenário é de impasse. A inflação segue acima da meta de 2%, mas o desemprego subiu pro maior nível em quatro anos. O Fed está dividido: parte do comitê olha pra inflação, parte olha pro mercado de trabalho. Resultado? Paralisia.

Como isso afeta você: Juros altos nos EUA fortalecem o dólar e drenam liquidez de ativos de risco, incluindo cripto.

Enquanto o Fed não sinalizar cortes, o ambiente macro continua desfavorável pra uma alta expressiva do Bitcoin.

Big Techs divulgam resultados

Microsoft, Meta e Tesla reportam hoje. Apple na quinta. Alphabet e Amazon na primeira semana de fevereiro.

O mercado quer respostas sobre os bilhões investidos em inteligência artificial.

As “Magnificent Seven” gastaram cerca de US$ 230 bilhões em capex em 2024. A projeção pra 2026 é de US$ 475 bilhões.

Até agora, os retornos não convenceram e as ações de cinco das sete empresas estão em queda desde outubro.

Como isso afeta você: Quando big techs decepcionam, o humor de risco do mercado azeda. E cripto, como ativo especulativo, costuma sofrer junto. Fique de olho nos resultados, especialmente nas projeções futuras.

Alerta de intervenção no iene

O iene japonês disparou na sexta-feira, maior salto em quase seis meses.

Surgiram rumores de que o Fed de Nova York fez “checagens de taxas”, sinalizando possível intervenção coordenada com o Japão.

A primeira-ministra Sanae Takaichi reforçou que o governo tomará “medidas necessárias” contra movimentos especulativos.

Como isso afeta você: Intervenções cambiais aumentam a volatilidade global.

Se o dólar enfraquecer de forma coordenada, ativos de proteção (como ouro e Bitcoin) podem se beneficiar.

Risco de shutdown nos EUA

As apostas de uma nova paralisação do governo americano saltaram de 9% pra 81% no Polymarket.

O motivo: democratas podem bloquear o orçamento por causa de conflitos sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna.

Como isso afeta você: Shutdowns geram incerteza e podem pressionar mercados no curto prazo.

Historicamente, o impacto em cripto é limitado, mas vale monitorar.

Obrigado pela leitura.

Até a próxima edição.