Nesse mês de março, eu participei do podcast Os Sócios com Bruno e Malu Perini, e trouxe um corte onde conversamos sobre o papel do Bitcoin no novo cenário global e como ele vem sendo comparado ao ouro, inclusive sob a perspectiva do Bitcoin como ouro digital.

Você pode assistir o episódio completo clicando aqui, mas continue me acompanhando que vou comentar sobre o corte que trouxemos no canal da Underblock nesse artigo.

Se você acompanha o cenário global, provavelmente já percebeu uma coisa: o sistema financeiro tradicional está passando por mudanças — e isso mexe diretamente com onde as pessoas colocam o próprio dinheiro.

Assista ao corte completo acima para entender como o Bitcoin vem sendo interpretado nesse novo cenário global, ou se preferir, pode continuar a leitura: aqui organizei os principais pontos para você entender o que está acontecendo.

A mudança no papel do dólar

Depois da invasão da Rússia à Ucrânia, ficou evidente que o dólar começou a perder, ainda que parcialmente, o seu papel absoluto como moeda de reserva. Não desapareceu — e nem deve —, mas abriu espaço para um movimento importante: vários países começaram a reduzir sua exposição ao dólar e buscar alternativas.

E quando você vende dólar, você precisa comprar outra coisa.

O que aconteceu na prática foi uma corrida para o ouro. Bancos centrais passaram a aumentar suas reservas em ouro físico, o que ajudou a impulsionar o preço.

O limite do ouro físico

Mas existe um problema: ouro físico não é exatamente prático em cenários de instabilidade.

Se você está em um país à beira de uma crise ou até de uma revolução, guardar ouro em casa pode não ser tão seguro quanto parece.

E é nesse ponto que começa a fazer sentido a ideia do Bitcoin como ouro digital.

Porque diferente do ouro físico, o Bitcoin tem uma vantagem clara: custódia. Ninguém sabe onde você está guardando, e você pode acessar de qualquer lugar.

Por que o Bitcoin não subiu como o ouro?

Agora, surge uma dúvida natural: se o ouro subiu com esse cenário, por que o Bitcoin não acompanhou na mesma proporção?

A expectativa, inclusive, era que ele tivesse subido ainda mais.

Mas não foi isso que aconteceu.

E a explicação passa por um ponto central: o Bitcoin ainda é um ativo relativamente novo.

Apesar de toda a narrativa de proteção, o mercado ainda não trata o Bitcoin de forma consistente como reserva de valor.

Em momentos de crise, muitas vezes ele ainda é visto como ativo de risco.

Isso cria um comportamento instável.

Em alguns momentos, a tese se confirma. Em outros, o mercado simplesmente ignora — e é justamente por isso que a narrativa de Bitcoin como ouro digital ainda está em fase de consolidação.

O teste real: crise bancária

Um exemplo interessante foi a quebra de bancos regionais nos Estados Unidos em 2023.

Quando o sistema bancário travou — e as pessoas não conseguiam acessar seu próprio dinheiro —, o Bitcoin subiu.

Por quê?

Porque ele negocia 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Ali, por um momento, o mercado percebeu: existe um ativo fora do sistema tradicional que continua funcionando.

Mas esse entendimento ainda não se consolidou. Passa rápido.

O tempo de maturação do mercado

Outro fator importante é o tempo de maturação.

Enquanto muita gente já acompanha o Bitcoin há mais de uma década, o investidor tradicional começou a olhar para esse mercado há poucos anos.

Isso significa que o entendimento ainda está em construção.

Ainda não houve aquele momento coletivo de “eureca”.

E enquanto isso não acontece, o comportamento continua inconsistente.

O impacto dos grandes players

Além disso, grandes players institucionais começaram a influenciar essa narrativa.

Com o lançamento de ETFs, por exemplo, o Bitcoin passou a ser mais acessível — mas também mais influenciado pelo comportamento tradicional do mercado.

E isso reforça um ponto importante: no fim do dia, quem decide é o investidor.

É ele que escolhe comprar ou vender.

Para onde isso está indo?

A tendência, no entanto, parece clara.

Existe uma percepção crescente de que o Bitcoin como ouro digital faz sentido — especialmente no longo prazo.

Mas ainda não chegamos lá completamente. Hoje, convivemos com esses “lapsos” de entendimento.

Momentos em que o mercado trata o Bitcoin como proteção.

E outros em que ele volta a ser tratado apenas como risco.

O que dá para dizer com mais convicção é o seguinte: esse processo está em andamento.

A ideia de proteção existe.

A lógica faz sentido.

Mas a adoção ainda está amadurecendo — e o reconhecimento definitivo do Bitcoin como ouro digital ainda depende desse amadurecimento coletivo.

E é justamente nesse tipo de fase que surgem as maiores oportunidades: quando a tese já faz sentido para quem entende, mas ainda não foi totalmente absorvida pelo mercado. Quem espera a validação completa geralmente entra depois — pagando mais caro por isso.

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Se você quer entender ainda mais como esse cenário pode evoluir e o que esperar dos próximos movimentos do mercado, recomendo assistir ao episódio completo do podcast clicando aqui.

Obrigado pela leitura. Até o próximo conteúdo.