Os arquivos de Jeffrey Epstein voltaram.
E, como sempre acontece quando esse nome reaparece, o que vem junto é uma avalanche de revelações perturbadoras, conexões improváveis e perguntas que ninguém quer responder em voz alta.
Mas dessa vez, uma teoria específica ganhou força no mundo cripto:
E se Jeffrey Epstein fosse Satoshi Nakamoto?

Para alguns, isso soou como a revelação definitiva. Para outros, como o FUD mais absurdo já fabricado contra o Bitcoin.
Eu entendo o desconforto. Ninguém quer associar a criação de algo revolucionário a uma das figuras mais repugnantes da história recente. Só que esse tipo de teoria não surge no vácuo. Ela aparece num momento muito específico.
O Bitcoin já não pode ser atacado no plano técnico. O protocolo funciona. Sobreviveu a múltiplos ciclos. Ganhou escala institucional. Passou a ser tratado como infraestrutura monetária por governos e corporações.
Quando não dá mais pra quebrar o código, a crítica migra para o campo moral.
A tentativa deixa de ser destruir o sistema e passa a ser contaminar a narrativa.
Hoje, vou te mostrar de onde veio essa teoria, porque ela não para de pé, e o que ela revela sobre quem realmente entende o que está comprando quando compra Bitcoin.
De onde veio essa teoria

Antes de desmontar qualquer coisa, precisamos entender como ela foi construída.
Epstein realmente teve contato com partes do ecossistema cripto no início. Ignorar isso seria intelectualmente desonesto. O problema começa quando observações reais são esticadas até virarem conclusões falsas.
A narrativa segue um padrão clássico:
- Epstein doou grandes quantias ao MIT ao longo de anos. Parte desses recursos passou pelo Media Lab — que, mais tarde, teve relação com pesquisadores e desenvolvedores ligados ao Bitcoin.
- Emails recentemente divulgados mostram Epstein discutindo Bitcoin em encontros privados. Isso muito antes da adoção mainstream, quando a maioria das pessoas nem sabia o que era uma criptomoeda.
- Em 2014 e novamente em 2018, ele aparece fazendo perguntas a insiders sobre impostos, regulação, uso político e financeiro de criptoativos. Conversas com gente como Peter Thiel e Steve Bannon.
Para quem já estava predisposto a acreditar, isso bastou.
A lógica foi simples e falha:
“Ele estava perto. Logo, ele criou.”
É o equivalente a dizer que alguém que frequentava o Vale do Silício nos anos 90 inventou o Google. Proximidade não é autoria. Interesse não é criação.
Mas quando a narrativa se encaixa no que as pessoas querem ouvir, os fatos viram detalhe.
Por que ela não para de pé?
Agora, vamos aos fatos.
O Bitcoin foi lançado em janeiro de 2009. Seu desenvolvimento mais intenso aconteceu entre 2009 e 2010, um trabalho obsessivo, contínuo e altamente técnico.
Sabe onde Jeffrey Epstein estava nesse período exato?
Preso. Ou sob supervisão estatal extremamente rígida na Flórida.
Criar o Bitcoin exigiu milhares de horas de programação, testes e interação com os primeiros desenvolvedores. Não é algo que se faz de uma cela ou com tornozeleira eletrônica.
Mas tem mais.
Anos depois, quando o Bitcoin já era um fenômeno global, Epstein ainda fazia perguntas básicas sobre o sistema.
Regulação. Impostos. Distribuição. Enquadramento legal.
Pense nisso por um segundo.
Criadores não pedem explicações introdutórias sobre sistemas que eles mesmos projetaram. Se você inventou algo, você não precisa perguntar pra Steve Bannon como funciona.
E existe uma incompatibilidade ainda mais profunda. Uma que vai além da cronologia.
Tudo o que sabemos sobre Satoshi Nakamoto aponta para alguém que:
- Evitava exposição a qualquer custo
- Não buscava influência política ou social
- Nunca moveu as moedas mineradas: até hoje, intocadas
- Desapareceu deliberadamente quando o sistema começou a ganhar relevância
Epstein era o oposto. Operava buscando proximidade com poder. Colecionava contatos. Cultivava status e acesso como moeda de troca.
Os perfis simplesmente não convergem.
É como tentar encaixar peças de quebra-cabeças diferentes. Até dá pra forçar, mas a imagem nunca faz sentido.
Uso criminoso não define criador
Parte da confusão vem de outro lugar.
O período em que Epstein passou a demonstrar interesse pelo Bitcoin (entre 2011 e 2015) coincide com a era do Silk Road. O mercado negro online onde Bitcoin era a moeda padrão.
E aqui mora um erro que muita gente comete que é associar o uso de uma tecnologia à intenção de quem a criou.
Sim, Bitcoin foi usado em mercados paralelos. Assim como toda tecnologia neutra e resistente à censura em seus estágios iniciais.
Mas pensa comigo:
- O dólar é a moeda mais usada no tráfico internacional de drogas. Isso faz do Federal Reserve um cartel?
- A internet foi (e ainda é) usada para crimes dos mais variados. Isso faz dos engenheiros da ARPANET criminosos?
- O sistema bancário global lava trilhões por ano. Isso significa que os bancos foram criados para isso?
Óbvio que não.
No caso do Bitcoin, esse período funcionou como um teste de estresse.
E o resultado?
O protocolo não foi alterado, nem censurado ou capturado.
Ele continuou operando conforme suas regras originais, exatamente como foi desenhado para fazer.
Confundir uso marginal com intenção fundacional é um erro analítico. Um que se repete sempre que alguém quer atacar algo que não consegue controlar.
O verdadeiro teste de convicção
Agora, chegamos ao ponto que realmente importa.
O aspecto mais inquietante dessa história não é a possibilidade (improvável) de Epstein ter alguma ligação estrutural com o Bitcoin.
O que assusta de verdade é a velocidade com que a convicção de algumas pessoas evaporou.
Pensa no que o Bitcoin já enfrentou:
- Proibições estatais
- Colapsos de mercado
- Guerras
- Ataques coordenados de governos e bancos centrais
- Declarações de morte vindas de todo lado
E sobreviveu a tudo.
Mas bastou um boato sobre uma pessoa para que parte do mercado entrasse em pânico.
Isso expõe algo essencial:
Muita gente segurou uma narrativa.
Deixa eu ser direto com você
Mesmo que o Bitcoin tivesse sido criado pela pior pessoa imaginável, e não foi, nada no sistema mudaria.
Nada.
Porque Bitcoin é:
- Open-source — qualquer pessoa pode auditar o código
- Descentralizado — não existe um ponto central de controle
- Sem permissões — ninguém precisa de autorização para usar
- Regido por matemática — não por reputações ou julgamentos morais
Ele não pertence a fundadores, governos, empresas ou instituições. Não responde a escândalos, fofocas ou manchetes.
Nenhum indivíduo, por mais rico, poderoso ou controverso, tem a capacidade de alterar sua política monetária, censurar transações ou redefinir suas regras.
Essa é a definição prática de soberania.
Se um boato envolvendo Jeffrey Epstein foi suficiente para fazer alguém vender seu BTC, essa pessoa nunca entendeu o que estava comprando.
Bitcoin não é uma história bonita.
Não é um herói anônimo.
Não é um mito confortável.
É um sistema soberano.
E sistemas soberanos não quebram por causa de escândalos humanos.
Eles existem justamente porque humanos falham.
📡 Radar de Mercado
Trump indica Kevin Warsh para comandar o Fed

O presidente dos Estados Unidos anunciou a indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve, o Banco Central americano.
Warsh é o mais jovem integrante do conselho do Fed, assumindo aos 35 anos.
Tem passagem pelo Morgan Stanley, foi assessor econômico na Casa Branca e hoje é pesquisador em Stanford.
A indicação ainda precisa passar pelo Senado. Mas se confirmada, encerra a incerteza sobre quem substituirá Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.
Por que isso importa pra você?
Trump é crítico vocal dos juros altos. Warsh é visto como alguém mais alinhado com a visão de cortes rápidos para estimular a economia.
Juros mais baixos nos EUA tendem a empurrar capital para ativos de risco, incluindo cripto. É algo para ficar no radar.
Shutdown resolvido (por enquanto)

A Câmara dos EUA aprovou o orçamento pendente, encerrando o segundo shutdown do governo Trump.
Dessa vez, o problema foi o financiamento do Departamento de Segurança Interna (que financia o ICE, a agência de imigração).
Democratas exigiam bloqueio de recursos após mortes durante operações anti-imigração em Minnesota.
O acordo foi aprovarem cinco dos seis projetos. A parte do DHS será renegociada nas próximas duas semanas.
O que muda?
Impacto direto no cripto: zero. Mas shutdowns prolongados criam incerteza nos mercados. Por ora, essa fonte de ruído foi eliminada.
Família Trump recebe US$ 500 milhões dos Emirados — e acende alertas

Essa é a notícia que merece mais atenção.
Quatro dias antes da posse, o Sheikh Tahnoon bin Zayed Al Nahyan (conselheiro de segurança nacional dos Emirados e irmão do presidente do país) adquiriu 49% da World Liberty Financial, empresa de cripto da família Trump, por meio bilhão de dólares.
Documentos mostram que US$ 187 milhões foram diretamente para entidades dos Trump.
Meses depois:
- A World Liberty anunciou que o fundo de IA dos Emirados usaria sua stablecoin USD1 para investir US$ 2 bilhões na Binance
- O governo Trump liberou a venda de chips de IA da Nvidia para os Emirados, revertendo restrições do governo Biden
A Casa Branca nega conflito de interesses. Críticos falam em violação constitucional.
O que isso significa?
Não há evidência de quid pro quo direto.
Mas a proximidade entre negócios familiares e decisões de política externa cria um cenário que, no mínimo, levanta perguntas desconfortáveis.
Para o mercado cripto: a família Trump está cada vez mais posicionada no setor. Isso pode trazer volatilidade, tanto por regulação favorável quanto por escândalos futuros.
Essa foi mais uma edição de Block Times.
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