O que vem agora pode ser muito maior
se tudo que você aprendeu sobre os ciclos do Bitcoin estivesse errado?
2025 deveria ter sido o ano da explosão. O terceiro ano de alta. O momento em que todo mundo ficaria rico. Terminou no vermelho.
O Bitcoin bateu US$ 126 mil de máxima. Renovou recorde atrás de recorde. Mesmo assim, o sentimento geral foi de frustração. As altcoins sangraram. A maior liquidação da história aconteceu — 19 bilhões de dólares evaporaram em um único dia. E aquele padrão sagrado de “sobe 3 anos, cai 1” simplesmente não funcionou.
O que quase ninguém percebeu: debaixo dessa decepção, aconteceu uma revolução silenciosa.
Mudanças regulatórias sem precedentes.
Institucionalização massiva.
Gestoras que juravam nunca tocar em cripto agora recomendam alocação para seus clientes.
O mercado deixou de ser coisa de nerd especulador e virou peça central do sistema financeiro global.
Por isso, eu acredito que 2026 será o ano mais importante da história do Bitcoin. Não necessariamente pelo preço. Mas porque vamos ter a resposta definitiva: entramos numa dinâmica completamente nova ou o velho ciclo ainda manda?
Essa é a pergunta que tento responder hoje.
O ano que quebrou o script
Eu tenho chamado 2025 de um bear market dentro de um bull market.
Parece contraditório. E é. Mas resume bem o que aconteceu.
De um lado, tivemos avanços estruturais que mudam o jogo para sempre. Trump assumiu a presidência como o primeiro líder americano declaradamente pró-cripto.
Gary Gensler — o algoz do mercado na SEC — foi substituído por Paul Watkins, um cara que entende inovação. O Genius Act regulamentou stablecoins. O Clarity Act abriu as portas para instituições financeiras tradicionais entrarem no mercado.
A Vanguard, que jurava nunca oferecer produtos cripto, se ajoelhou e começou a oferecer. ETFs de Ethereum e Solana foram lançados. Empresas de tesouraria digital expandiram suas compras para além do Bitcoin.
Do outro lado, o preço não acompanhou.
Tokens de celebridades como o Libra, ligado ao presidente argentino, drenaram liquidez do mercado.
A guerra tarifária de Trump causou instabilidade brutal.
O Liberation Day em abril derrubou o Bitcoin para US$ 74 mil. E em outubro, 19 bilhões foram liquidados em 24 horas.
O Fear & Greed Index foi da ganância extrema ao medo extremo em poucos meses.
Fundamentos de bull market. Sentimento de bear market. Isso nunca tinha acontecido antes.
Padrões existem até deixarem de existir
Você sabe que depois de domingo vem segunda. Depois de segunda, terça. O calendário não falha.
O mercado não funciona assim.
Mas nosso cérebro quer que funcione.
Buscamos padrões porque eles nos dão conforto.
Se algo se repetiu três vezes, assumimos que vai se repetir na quarta. É mais fácil de entender. Mais fácil de tomar decisões.
Por 12 anos, o Bitcoin seguiu um roteiro previsível: sobe 3 anos, cai 1. Sobe 3, cai 1. Sobe 3, cai 1. Altas explosivas seguidas de quedas brutais. O famoso ciclo de 4 anos atrelado ao halving.
2023 subiu. 2024 subiu. 2025 deveria ter explodido. Batemos máximas históricas, sim. Mas terminamos no negativo. O script quebrou.
E tem um motivo claro para isso: os jogadores mudaram.
Em 2016, eu frequentava eventos de cripto cheios de nerds e early adopters.
Os “engravatados” nos olhavam com desprezo.
Em 2021, ainda havia ceticismo. Agora? Gestoras com 63 trilhões de dólares sob gestão recomendam alocação em Bitcoin.
Como um padrão pode se repetir se as pessoas que o causavam são completamente diferentes?
Não pode.
A revolução que ninguém viu
Enquanto todo mundo reclamava do preço, o mercado mudava de forma irreversível.
Vou colocar em perspectiva.
O mercado global de gestoras movimenta 63 trilhões de dólares.
A recomendação média de alocação em cripto dessas gestoras é de 1% a 2% do portfólio. Faça a conta: isso representa entre 630 bilhões e 1,26 trilhão de dólares em demanda potencial.
O market cap total do Bitcoin hoje? 1,8 trilhão.
O Morgan Stanley, que tem 1,8 trilhão sob gestão, pediu listagem de ETFs de Bitcoin, Ethereum e Solana. A Vanguard capitulou. A BlackRock disse aos seus clientes, em evento oficial, que Bitcoin é uma forma de proteção contra riscos da economia.
Isso mesmo. A maior gestora do planeta tratando Bitcoin como ativo defensivo. Não especulativo. Defensivo.
E faz sentido. Governos do mundo inteiro estão gastando mais do que arrecadam.
Déficits fiscais explodem. A saída será imprimir dinheiro, manter juros artificialmente baixos, tolerar inflação estrutural.
Nesse cenário, ativos escassos e não-soberanos ganham relevância. Ouro sempre foi essa proteção. Agora o Bitcoin divide esse papel.
O mercado cripto deixou de ser uma aposta. Virou uma necessidade.
Liquidez: a palavra de 2026
Se eu tivesse que resumir 2026 em uma única palavra, seria liquidez.
Pensa comigo. Em 2025, o Fed americano ainda fazia o chamado QT, o aperto quantitativo.
Basicamente, retirava dinheiro da economia. Um cenário restritivo, difícil para ativos de risco.
Mesmo assim, o Bitcoin saiu de US$ 93 mil e bateu US$ 126 mil de máxima. Subiu em condições adversas.
Agora o cenário muda.
86% dos bancos centrais do mundo estão cortando juros.
O Fed começou a transição do QT para o QE, uma expansão monetária.
O TGA, aquela conta do Tesouro americano que secava liquidez do sistema, voltou a diminuir.
Cada dólar que sai de lá é dinheiro voltando para os mercados.
E 2026 é ano de midterms nos EUA. Eleições intermediárias. Governos em ano eleitoral tendem a ser mais populistas, gastam mais, injetam estímulos. Mais liquidez.
O Bitcoin tem um duplo mandato aqui.
Ele se beneficia quando a liquidez aumenta. Dinheiro barato busca retorno, ativos de risco sobem.
Mas também se beneficia se tudo der errado, porque é descorrelacionado, escasso e não-soberano.
Risco on? Bitcoin ganha. Risco off? Bitcoin pode ganhar também.
Poucos ativos têm essa característica.
Três caminhos possíveis
Vou ser direto. Existem basicamente três cenários para 2026.
Cenário pessimista: o ciclo de 4 anos não morreu: só atrasou.
Estamos no início de um bear market de verdade.
Uma recessão global impacta a adoção institucional, conflitos geopolíticos atrapalham, e o Bitcoin corrige forte. Nesse caso, veríamos um repique até US$ 100-110 mil, seguido de queda para a região dos US$ 60 mil.
Esse não é meu cenário principal. Mas precisa estar no radar.
Cenário otimista: tudo se alinha.
Liquidez aumentando, institucionalização acelerando, regulação clara, e a quebra definitiva do ciclo antigo. Governos e corporações adotam Bitcoin em massa.
Nesse caso, buscaríamos aquela faixa que todo mundo esperava em 2025… US$ 200 mil, talvez US$ 250 mil.
Cenário base (o mais provável): o ciclo de 4 anos realmente acabou.
O Bitcoin deixa de ter altas explosivas seguidas de quedas brutais.
Entra numa dinâmica de escadinha, sobe 50%, corrige 25-30%, sobe mais 50%, corrige de novo.
Crescimento mais gradual, mais consistente, menos volátil.
Nesse cenário, superamos a máxima de US$ 126 mil e buscamos algo entre US$ 130 mil e US$ 180 mil.
O que fazer quando o jogo muda
Se você quer ir além do Bitcoin, 2026 exige um filtro mais rigoroso.
Acabou a era do “Bitcoin sobe, tudo sobe.” O mercado ficou disperso. Seletivo. Você precisa de critérios claros.
Primeiro: priorize ativos com demanda estrutural. ETFs aprovados, fluxo institucional confirmado. Bitcoin, Ethereum e Solana já têm seus veículos. Se a demanda institucional cresce, esses ativos crescem junto.
Segundo: busque receita real. Protocolos que geram caixa de verdade: taxas, buybacks, valor distribuído para holders. Não promessas. Dinheiro entrando.
Um exemplo concreto? Hyperliquid.
Em uma única semana de dezembro, negociou US$ 45 bilhões em volume. Gerou US$ 18 milhões de receita.
Desde agosto, foram US$ 375 milhões em receita acumulada.
O protocolo fez buyback de 10,5 milhões de tokens HYPE. Tem 2 milhões de usuários ativos.
Isso é substância. É o tipo de ativo que faz sentido em 2026.
Outras narrativas para ficar de olho: DeFi maduro com fluxo de caixa comprovado, guerra entre launchpads, e o renascimento da privacidade com tecnologias zero-knowledge.
O que vem agora
Comecei esse texto com uma pergunta: e se tudo que você aprendeu sobre os ciclos do Bitcoin estivesse errado?
Depois de analisar os dados, minha convicção é clara. O padrão de 4 anos quebrou.
Os jogadores mudaram. A dinâmica mudou. Esperar que o mercado se comporte como em 2017 ou 2021 é como usar um mapa antigo para navegar uma cidade que foi reconstruída.
O mercado cripto não volta atrás. A institucionalização é irreversível. Gestoras, bancos, governos: todos estão entrando.
Isso não é mais uma aposta de nicho. É uma transformação estrutural do sistema financeiro.
2026 vai dar a resposta definitiva. Vamos descobrir se essa nova dinâmica se consolida ou se o velho ciclo ainda manda. De qualquer forma, quem ficar preso às expectativas do passado vai perder o trem.
Não estou dizendo que vai ser fácil. Não estou prometendo que você vai ficar rico. Estou dizendo que vale a pena ter um posicionamento de longo prazo, com uma carteira que você possa carregar por anos.
O ciclo de 4 anos morreu. O que nasce agora pode ser muito maior, mas exige uma nova forma de pensar.
E essa mudança começa hoje.
Até a próxima edição do Block Times.
📡 Radar de Mercado
O que aconteceu na semana e como isso afeta você
1. Inflação nos EUA veio em linha — e o Fed deve pausar

O CPI americano subiu 0,3% em dezembro, exatamente como esperado. Na base anual, a inflação ficou em 2,7%.
O que isso significa: O Fed deve manter os juros em 3,50%-3,75% na reunião de 27 e 28 de janeiro. Sem surpresas.
Como isso afeta você: Juros estáveis nos EUA significam que o ambiente para ativos de risco não piora, mas também não melhora no curto prazo.
O Bitcoin precisa de liquidez crescente para acelerar. Por enquanto, estamos no modo “aguardar e observar”.
A boa notícia? O mercado já precificou essa pausa. Não deve haver volatilidade extra por conta disso.
2. Trump escala pressão sobre o Irã

O presidente americano anunciou tarifas de 25% sobre produtos de países que fazem negócios com o Irã.
Também foi informado sobre opções militares, de mísseis de longo alcance a operações cibernéticas.
O que isso significa: Tensão geopolítica subindo.
O Irã enfrenta protestos internos, colapso da moeda e inflação de 70% nos alimentos.
Trump está pressionando por todos os lados.
Como isso afeta você: Conflitos geopolíticos costumam gerar volatilidade nos mercados. Mas o Bitcoin historicamente se beneficia de instabilidade global. É o ativo que não depende de nenhum governo. Quando a confiança em moedas fiduciárias cai, como está acontecendo no Irã, ativos escassos e descentralizados ganham relevância.
Fique atento, mas não entre em pânico.
3. Powell denuncia pressão política do governo Trump

O presidente do Fed revelou que o banco central foi intimado pelo Departamento de Justiça. Segundo Powell, a ameaça de acusação criminal é consequência da resistência do Fed em cortar juros conforme Trump deseja.
O que isso significa: Uma crise institucional sem precedentes. O dólar caiu frente a todas as principais moedas após a notícia. O ouro bateu recorde histórico.
Como isso afeta você: Essa é a notícia mais importante da semana para quem investe em cripto.
Se o Fed perder independência, a política monetária dos EUA vira ferramenta política.
Isso significa mais impressão de dinheiro, mais inflação, mais desvalorização do dólar. E mais demanda por ativos que não podem ser manipulados por governos, como o Bitcoin.
O movimento do ouro já mostra o que o mercado está pensando. O Bitcoin tende a seguir.