E como usar isso a seu favor nas próximas semanas.

Trump é previsível.

Eu sei que parece absurdo escrever isso. O homem que ameaça comprar a Groenlândia, que chama a Dinamarca de “ingrata” e que usa tarifas como arma de negociação parece tudo, menos previsível.

Mas se você olhar com atenção, existe um script. E esse script pode te dar uma vantagem.

Na última semana, vimos mais um capítulo dessa novela.

Segunda-feira foi feriado nos Estados Unidos e as bolsas estavam fechadas. Mas o estrago já tinha sido feito. Em Davos, Trump dobrou a aposta na Groenlândia. A Europa reagiu. O ouro subiu. O Bitcoin corrigiu.

Para a maioria das pessoas, isso é ruído. Manchete de jornal. Motivo para ansiedade.

Para quem entende o padrão, é outra coisa: é sinal.

Nas próximas linhas, vou te mostrar o playbook que Trump repete toda vez que usa tarifas como ameaça. Vou explicar qual é o único indicador que faz ele recuar. E vou te mostrar por que as próximas 2 a 4 semanas podem ser a melhor janela de compra de Bitcoin que você vai ter em meses.

Isso não é previsão. É leitura de padrão.

O playbook de 13 passos

Existe um perfil no Twitter que mapeou exatamente o que Trump faz toda vez que quer algo. São 13 passos. Sempre os mesmos. Sempre na mesma ordem.

O nome informal? TACO trade. Trump Always Chickens Out. Trump sempre dá pra trás.

Funciona assim:

Ele faz uma exigência. Pode ser a Groenlândia, pode ser tarifas sobre a China, pode ser pressão sobre o México. Não importa o alvo, o método é idêntico.

Primeiro, vem a ameaça. Depois, a escalada retórica. O mercado reage. Volatilidade. Correção. A imprensa entra em pânico.

E então, quando um indicador específico começa a piscar vermelho (vou falar dele já já), Trump recua. Negocia. Declara vitória. O mercado recupera.

É como um jogador de pôquer que sempre blefa da mesma forma. Quem não conhece o jogo, perde dinheiro. Quem conhece, lê a mão.

Em outubro de 2025, ele ameaçou tarifas de 100% sobre a China. O mercado corrigiu. Semanas depois, ele suavizou o discurso. Resultado? A bolsa americana recuperou 3 trilhões de dólares em market cap.

O padrão não é novo. O que muda é quem está prestando atenção.

O freio que ele respeita

No começo, o mercado achava que a bolsa era o limite.

“Se o S&P cair demais, Trump vai recuar.” Fazia sentido. Presidente nenhum quer ser associado a um crash.

Mas não foi isso que aconteceu.

Em vários momentos de 2025, a bolsa caiu e Trump seguiu firme. Chegou a dizer publicamente que não estava olhando para o mercado. Que aguentaria a pressão.

E ele aguentou. Até um ponto.

O freio real não é a bolsa. São os juros longos.

Quando as taxas dos títulos de 10 e 30 anos começam a subir rápido demais, o alarme dispara.

Juros longos mais altos significam uma coisa muito concreta: a dívida pública dos EUA fica mais cara.

O governo precisa pagar mais para se financiar. O dólar entra em pressão.

Isso Trump não pode ignorar.

A bolsa é o termômetro que ele finge não ver. Os juros longos são o alarme de incêndio que ele não consegue desligar.

Toda vez que esse indicador estressou, ele tirou o pé. Toda vez.

Ano de midterms, tom diferente

Tem outro fator que o mercado ainda não precificou direito: 2026 é ano de midterms.

As eleições legislativas nos Estados Unidos acontecem em novembro. E nenhum governo, nenhum, toma decisões que arrisquem sua popularidade nesse período.

Trump pode ser imprevisível no Twitter. Mas ele sabe contar votos.

Conforme o ano avançar, a tendência é que o tom agressivo diminua. Não por mudança de convicção. Por pragmatismo eleitoral.

Isso não significa que as ameaças vão sumir. Significa que a janela de ruído mais intenso está concentrada agora, no primeiro semestre.

É justamente nesse intervalo que o investidor atento pode encontrar as melhores assimetrias.

O barulho vai diminuir. A questão é: você vai se posicionar antes ou depois?

A janela de 2-4 semanas

Historicamente, o ciclo completo (da ameaça ao recuo) leva de duas a quatro semanas.

É nesse intervalo que os preços corrigem. Que o medo domina as manchetes. Que o investidor médio vende no pior momento.

E é exatamente aí que o investidor preparado faz o oposto.

Se você pratica DCA, esse é o tipo de momento que você deveria estar esperando.

Não para adivinhar o fundo, mas para comprar com método enquanto outros vendem no susto.

Os fundamentos não mudaram. A inflação nos EUA segue em queda. O Fed está injetando liquidez, mesmo sem chamar de QE.

O próprio governo Trump sinalizou estímulos de mais de 200 bilhões de dólares no setor imobiliário.

O cenário macro continua favorável. O que mudou foi o preço de curto prazo.

Para quem não tem mapa, tempestade é só destruição.

Para quem tem, é vento a favor.

Liquidez ou caos? Os dois.

Durante anos, o mercado cripto se organizou em torno de uma profecia: o ciclo de quatro anos. Halving, escassez, bull market quase automático.

Esse modelo ajudou a explicar o passado, mas perdeu poder à medida que o Bitcoin cresceu e se integrou ao sistema financeiro tradicional.

Hoje, o ativo responde a dois vetores muito claros.

O primeiro é liquidez. Quando o ambiente monetário se torna mais expansionista (juros caindo, estímulos entrando) o Bitcoin reage de forma amplificada.

É um ativo de alta convexidade. Sobe mais rápido que a maioria quando o dinheiro começa a circular.

O segundo é risco. Quando a instabilidade global aumenta, quando a confiança nas moedas soberanas diminui, o Bitcoin passa a funcionar como uma alternativa.

Um ativo não-soberano. Um hedge ao caos.

Não à toa, o ouro vem renovando máximas históricas. E o Bitcoin, cada vez mais, é tratado como um complemento a ele, não um substituto.

Grandes gestoras como a BlackRock já reconhecem esse papel. O ativo deixou de ser aposta marginal. Virou peça de alocação estratégica.

Poucos ativos conseguem jogar nos dois times. Subir com liquidez. Subir com incerteza.

O Bitcoin está tentando ser um deles. E o capital institucional já percebeu isso.

A pergunta que fica

O padrão existe. Os fundamentos não mudaram. A volatilidade é temporária.

Para o investidor desavisado, as próximas semanas são a chance perfeita de perder dinheiro. Vender no pânico. Reagir à manchete. Ficar de fora da recuperação.

Para o investidor consciente, é outra história.

É o momento de manter a estratégia. Fazer DCA com disciplina. Aproveitar o desconto enquanto o mercado digere o ruído.

Enquanto o mundo vê caos, o investidor preparado vê uma janela de oportunidade.

A pergunta é: de que lado você quer estar?

Até a próxima edição,

Vinícius Bazan

P.S. — Atualização de última hora

Enquanto eu finalizava essa newsletter, o playbook se confirmou.

Trump foi a Davos com o mercado reagindo mal à situação da Groenlândia. Ameaças de tarifas, tensão com a Europa, volatilidade nos ativos.

E o que aconteceu?

Ele tirou o pé.

Disse que não vai invadir. Que não vai usar a força. Que quer negociar de forma pacífica.

O que mudou? A União Europeia engrossou o caldo. Ameaçou cancelar o acordo comercial com os EUA. E, horas depois, Trump voltou atrás: “Chegamos a um acordo. Não vamos impor as tarifas.”

Estamos entrando no que seria o passo 8 do playbook. Ainda pode ter mais volatilidade nos próximos dias, mas a direção é clara.

Pode ser por causa dos midterms. Pode ser pelos juros longos. Pode ser pela pressão direta da contraparte, como foi hoje com a Europa.

O motivo muda. O padrão, não.

Se você entende isso, você toma decisões melhores. Simples assim.

📡 Radar de Mercado

1. Trump em Davos: Groenlândia, ameaças e recuo calculado

Em discurso no Fórum Econômico Mundial, Trump insistiu na proposta de comprar a Groenlândia. Chamou a Dinamarca de “ingrata”. Disse que os EUA foram “estúpidos” por devolver o território após a Segunda Guerra. E afirmou que ninguém consegue defender a ilha como os americanos.

Mas no meio do tom agressivo, uma frase chamou atenção: “Eu não vou usar a força.”

É o tipo de recuo retórico que o mercado já aprendeu a reconhecer. Ameaça forte no discurso, moderação nos atos.

A Europa reagiu. Macron pediu exercício da OTAN na Groenlândia. A Dinamarca considera enviar até 1.000 soldados. Ursula von der Leyen disse que o bloco está “preparado para agir”.

Como isso afeta você: Mais ruído nas próximas semanas. Mais volatilidade. Mais oportunidade para quem está posicionado.

2. Suprema Corte adia (de novo) decisão sobre tarifas

Era esperado que a Suprema Corte dos EUA se pronunciasse sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump. Não aconteceu. Pela terceira vez consecutiva.

O adiamento prolonga a incerteza jurídica e dá margem para Trump continuar usando tarifas como ferramenta de pressão sem contestação legal imediata.

Como isso afeta você: Enquanto não houver decisão, o roteiro segue o mesmo. Ameaças, tensão, correção, recuo, recuperação. O padrão continua válido.

3. Guerra tarifária não afundou os EUA (por enquanto)

Apesar de todo o ruído, a economia americana segue resiliente. A OCDE revisou para cima a projeção de crescimento do PIB dos EUA em 2025: de 1,6% para 2%.

Isso não significa que as tarifas são inofensivas. Significa que, até agora, o impacto foi absorvido. E que o mercado (e Trump) têm mais margem de manobra do que muitos imaginavam.

Como isso afeta você: Resiliência econômica dá espaço para mais ruído político sem colapso, mas também sustenta a tese de que os fundamentos para ativos de risco seguem intactos. Bitcoin incluído.

Agora sim, nos vemos na próxima edição do Block Times.