Demanda fraca, Fed parado e uma novela no Oriente Médio segurando o preço.

Esta análise foi originalmente enviada para nossos inscritos em 21 de junho de 2026. Os preços, indicadores e acontecimentos mencionados refletem o cenário daquele momento. Quer receber análises como esta diretamente no seu e-mail? Inscreva-se no Block Times clicando aqui.

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Na semana em que escrevi esta análise, o mercado olhou menos pro gráfico e mais pro noticiário. Saiu um memorando sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, mas Israel já avisou que não concorda com os termos, e ainda havia 60 dias pra essa história se resolver.

Resultado: muita dúvida no ar e um Bitcoin parado na casa dos 62 mil, sem conseguir escolher um lado.

Travado entre 60k e 65k

Durante aquela semana, do dia 21 de junho, o Bitcoin chegou a reconquistar a região dos 65 mil, mas não teve fôlego pra segurar esse patamar. Voltou a recuar e se acomodou no meio do caminho.

É o tipo de movimento que frustra quem espera uma direção clara, porque ele não cai de vez nem dispara.

O cenário mais provável naquele momento era o Bitcoin oscilar dentro dessa faixa, entre os 60 mil e os 65 mil, até conseguir romper uma das duas pontas com força. Enquanto isso não acontecia, a tendência de prazo maior seguia indefinida.

Os indicadores reforçavam essa leitura de indecisão. O RSI, que mede a força do movimento, estava numa região neutra, sem mostrar nem sobrecompra nem sobrevenda.

Em bom português: o mercado não estava nem animado demais nem no fundo do poço. Estava esperando.

Pra você que opera no curto prazo, isso mudava o jogo. Acima dos 65 mil, com volume, abriria espaço pra uma retomada mais consistente. Abaixo dos 60 mil, o risco voltaria a pesar e poderia chamar uma nova perna de queda.

Por isso, eu prefiro respeitar essas duas linhas e não tentar adivinhar o rompimento antes dele acontecer.

O que segurava a demanda

A novela Irã x Israel

Saiu um memorando sobre um possível acordo entre EUA e Irã, o que seria uma boa notícia pra acalmar o mercado.

Só que Israel já havia se posicionado contra os termos, e o acordo ainda tinha 60 dias pra ser fechado. Ou seja, ninguém queria apostar numa trégua que poderia não acontecer.

Por isso, o otimismo não entrou no preço.

A demanda americana não voltou

Os ETFs de Bitcoin seguiam com saída de capital. O ritmo era menor que o das semanas anteriores, o que era um alívio, mas ainda estava longe de representar uma demanda forte.

E havia outro termômetro, que eu te explico daqui a pouco: o prêmio da Coinbase.

Ele seguia negativo e contava a mesma história. O investidor dos Estados Unidos ainda estava mais vendendo do que comprando.

O Fed sem pressa

O banco central americano manteve os juros parados e deixou claro que a inflação continuava sendo a prioridade.

Na prática, isso afastava a expectativa de corte de juros no curto prazo. E enquanto o juro permanecesse alto por lá, o dinheiro tenderia a ficar mais cauteloso com ativos de risco, cripto incluído.

Prêmio da Coinbase

A Coinbase é a maior corretora dos Estados Unidos, então o que acontece nela funciona como um termômetro do apetite do investidor americano.

O “prêmio da Coinbase” compara o preço do Bitcoin lá com o preço nas outras corretoras do mundo.

Quando o Bitcoin está mais caro na Coinbase, o prêmio fica positivo. Quer dizer que o americano está disposto a pagar mais pra comprar, sinal de demanda forte.

Quando ele está mais barato lá, o prêmio fica negativo, e a leitura se inverte: tem mais gente querendo vender do que comprar.

É como duas barracas na feira vendendo a mesma fruta. Se a do bairro mais rico cobra mais caro, é porque a procura por lá está aquecida.

Naquele momento, o prêmio estava negativo.

Tradução: o investidor americano ainda não havia voltado com fome de comprar.

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