Com a queda do Bitcoin de volta para a faixa dos 60 mil dólares, uma frase me chamou bastante atenção nos últimos dias:

“Eu estou vendendo a minha casa para comprar Bitcoin.”

Quem disse isso foi o Elizer, do canal Via Infinda, ao anunciar que está vendendo a casa dele para comprar Bitcoin. Eu postei esse mesmo vídeo lá no meu Instagram e perguntei para a galera se ele era um gênio ou um louco. Para minha surpresa, muita gente respondeu que faria o mesmo, vendendo uma casa, uma moto ou algum bem importante para comprar mais Bitcoin agora.

E eu sei que, nesse momento, o que você quer saber é se essa é a hora de comprar, se ainda vai cair mais, se a gente tem uma tendência de baixa confirmada ou se o Bitcoin está formando um novo fundo.

Pensando nisso, no meu novo vídeo no canal da Underblock, eu mostro uma análise completa sobre a queda do Bitcoin, olhando curto prazo, médio prazo, longo prazo, dados on-chain, indicadores de mercado e comportamento dos investidores.

Se você quiser ver os gráficos na tela e todos os detalhes práticos, recomendo assistir ao vídeo. Mas se preferir, pode continuar a leitura: neste artigo, organizei as ideias principais para você entender por que eu estou comprando Bitcoin agora, mas também como eu estou comprando.

Antes de qualquer coisa: vender a casa para comprar Bitcoin pode ser extremo

Eu preciso ser muito sincero aqui.

Talvez vender a sua casa para comprar Bitcoin seja um pouco extremo. Claro, se a sua casa representar 5% do seu patrimônio, tudo bem, a conversa muda. Mas eu sei que, para a maioria das pessoas, uma casa representa muito mais do que isso.

E por mais que eu seja um defensor ferrenho do Bitcoin, por mais que eu esteja animado para comprar nesse momento, a gente precisa ter um pouco de parcimônia.

Isso aqui é uma questão de responsabilidade.

O fato de eu acreditar no Bitcoin não significa que eu ache inteligente tomar qualquer decisão sem medir risco, patrimônio, liquidez e horizonte de tempo.

O que a venda da Strategy tem a ver com esse momento?

O caso do Elizer me lembrou também uma fala famosa do Michael Saylor, quando ele disse algo como:

“venda um rim, se for preciso, mas fique com seus bitcoins.”

O Saylor é uma das figuras mais fortes do mercado, o maior detentor corporativo de Bitcoin por meio da Strategy, e sempre defendeu essa ideia de comprar Bitcoin e nunca vender.

Só que recentemente aconteceu algo que assustou o mercado: a Strategy vendeu Bitcoin.

E aí muita gente entrou em pânico.

O ponto é que a Strategy vem acumulando Bitcoin de forma muito forte nos últimos anos. Hoje, são mais de 840 mil bitcoins, algo na casa de 50 a 60 bilhões de dólares.

A venda recente foi de 32 bitcoins.

Se a gente faz a conta, isso representa cerca de 0,004% de todos os bitcoins que a empresa tem.

Ou seja, na minha leitura, essa venda não muda absolutamente nada do ponto de vista patrimonial.

O que eu acredito é que o Saylor precisava mostrar ao mercado era outra coisa: que a empresa é capaz de vender Bitcoin se precisar.

Porque pensa comigo. Se você é uma empresa que acumula o máximo de bitcoins possível, você está dizendo para o mercado, para investidores e para avaliadoras de crédito que está montando um patrimônio robusto. Mas esse patrimônio perde valor prático se você nunca for capaz de vender.

É como comprar um terreno em Marte. Ele pode valer muito no papel, mas se ninguém consegue ir até Marte para comprar esse terreno, esse valor não significa muita coisa.

Então, na minha opinião, a Strategy vendeu uma quantidade muito pequena para mostrar que o Bitcoin dela é líquido. Só que o mercado interpretou de outra forma: se ele vendeu agora, talvez esteja testando para vender muito mais.

E aí veio o pânico.

O mercado está com medo, e isso pode dizer muita coisa

Quando a gente olha para o Fear and Greed Index, o mercado voltou para uma zona de extremo medo.

E aqui tem um ponto importante. Todas as vezes em que o Fear and Greed Index foi para extremos negativos, isso coincidiu com fundos locais do Bitcoin.

Isso não significa necessariamente que o Bitcoin chegou ao fundo definitivo de um bear market, mas mostra que a gente já está em uma zona de exaustão.

Sendo sincero, o mercado está confuso e um tanto emocionado.

Por isso, eu separei a análise em duas frentes: primeiro o curto prazo, para entender o que está acontecendo agora, e depois o médio e longo prazo, para entender por que eu estou comprando, mas principalmente como eu estou comprando.

Leia também: Os 5 sinais vitais do Bitcoin que quase ninguém para pra ler

O que está pressionando o Bitcoin no curto prazo?

No curto prazo, a gente tem uma combinação de fatores negativos impactando o Bitcoin.

O primeiro ponto é o cenário macro. A guerra no Oriente Médio, entre Estados Unidos e Irã, continua se arrastando. Os dois lados parecem cansados, mas ninguém larga o osso porque não chegaram a um acordo de trégua ou paz.

E o principal problema nesse contexto é o Estreito de Ormuz, uma região pequena, de cerca de 20 km, por onde passa algo próximo de 20% da produção global de petróleo.

Com essa região fechada, o preço do petróleo sobe. Com o petróleo mais caro, sobem também os combustíveis e até as passagens aéreas, porque o querosene usado nos aviões fica mais caro.

Isso pressiona a inflação nos Estados Unidos.

E a inflação voltou a acelerar, passando de 4% pela primeira vez em 3 anos. O problema é que a meta do Fed é algo próximo de 2%. No fim do ano passado, a inflação tinha chegado perto disso, mas agora voltou a subir e assustou o mercado.

Com inflação subindo, o Fed perde espaço para cortar juros. Na verdade, o mercado começa a precificar a possibilidade de um novo aumento de juros ainda este ano.

Esse movimento causa aversão a risco e impacta ativos pelo mundo inteiro: bolsas, Bitcoin e outras criptomoedas, que são mais voláteis e mais sensíveis a esse tipo de cenário.

Os ETFs também mostram pessimismo

Outro termômetro importante são os ETFs.

Recentemente, tivemos saída de capital dos ETFs de Bitcoin. Essa saída foi crescendo, embora pareça estar diminuindo neste momento. Tivemos até uma pequena entrada recente, então agora é algo que precisa ser acompanhado.

Aqui existem dois vetores.

O primeiro é essa aversão a risco causada pelo pano de fundo de inflação, guerra e juros. O segundo é a liquidez sendo sugada por grandes IPOs, como o da SpaceX.

Minha leitura é que parte dessa saída de capital pode estar ligada a investidores tirando dinheiro de cripto para aportar nesses IPOs.

Talvez seja um movimento passageiro. Talvez boa parte já tenha sido precificada. Mas, neste momento, os ETFs ajudam a mostrar que o mercado está pessimista.

E é aí que entra uma coisa que eu aprendi em 11 anos de mercado: você deveria comprar pânico e vender euforia.

Quando o mercado está em pânico, isso pode ser um bom sinal para acumulação. Não significa comprar de qualquer jeito, mas significa olhar com atenção.

A queda do Bitcoin pode abrir espaço para um repique?

Olhando para o gráfico, o Bitcoin corrigiu forte.

A queda começou mais controlada, depois acelerou. Quando olhamos os dados de liquidez, funding rate e open interest, dá para ver que o preço foi caindo enquanto o funding rate ainda estava positivo.

Isso é ruim, porque mostra que, mesmo com o preço caindo, investidores no mercado futuro continuavam apostando em reversão.

Ou seja, ainda não tínhamos visto um evento claro de capitulação, aquele momento em que os compradores desistem. E muitas vezes é justamente nesses momentos que o mercado faz fundo.

Agora, com o Bitcoin batendo na região dos 59 mil e se estabilizando perto dos 60 mil, o funding rate começa a tentar ficar negativo, oscilando, e aparecem zonas de liquidez acima do preço.

No curto prazo, eu vejo possíveis regiões de repique entre 64 e 68 mil dólares. Depois, uma zona entre 74 e 76 mil dólares. E, mais distante, uma região entre 80 e 84 mil dólares.

Mas antes de pensar em um cenário mais forte de alta, a gente precisa sedimentar um fundo nessa faixa dos 60 mil.

Por que eu estou comprando, mas com responsabilidade

Em momentos instáveis, a gente precisa operar mais baseado em dados para não ficar surfando uma montanha-russa de emoções.

Porque é justamente essa variação de preço que leva muita gente a tomar decisões erradas.

Eu estou comprando Bitcoin para a minha carteira de longuíssimo prazo, a carteira que eu seguro há 11 anos. Mas isso não quer dizer que eu esteja colocando tudo de uma vez ou tomando uma decisão irresponsável.

Para uma visão buy and hold, momentos como esse podem ser bons para fazer DCA, ou seja, compras recorrentes e graduais.

A ideia não é tentar adivinhar o fundo exato, mas acumular em regiões interessantes quando os dados mostram que o ativo está descontado.

E, para uma visão de curto e médio prazo, eu acredito que vale olhar também para estratégias complementares, que conseguem se posicionar de forma mais defensiva quando o mercado piora e de forma mais agressiva quando o mercado dá sinais mais claros de alta.

É por isso que eu falo também sobre o nosso piloto automático em cripto. A ideia é ter estratégias rodando automaticamente, copiando a minha carteira, com gestão mais ativa.

Em mercados laterais ou em queda, esse tipo de estratégia pode ajudar a proteger a carteira. E quando o mercado retoma o movimento de alta, você consegue aproveitar esse movimento sem ter voltado tanto para trás.

A visão de médio e longo prazo para o Bitcoin

Quando a gente olha para o médio e longo prazo, existem alguns indicadores que me chamam atenção.

O primeiro é a EMA 200, a média móvel exponencial de 200 semanas. Historicamente, ela funcionou como uma espécie de suporte para o preço do Bitcoin ao longo dos ciclos de alta e baixa.

Foram poucas as vezes em que o Bitcoin negociou abaixo dessa região. Agora, a gente está mais ou menos nela, um pouco abaixo.

Isso mostra para mim que ainda pode existir um pouco mais de queda, mas também que estamos mais próximos de uma região de fundo do que de topo.

Outro indicador importante é o MVRV, uma das métricas on-chain que eu mais gosto. Quando ele está muito alto, na região vermelha, geralmente coincide com topos de mercado. Quando está muito baixo, na região verde, costuma coincidir com fundos, porque boa parte da capitulação já aconteceu.

Hoje, o Bitcoin está muito mais próximo da faixa verde do que da faixa vermelha.

Isso não significa que não possa cair mais. Mas, numa relação de custo-benefício, o Bitcoin parece bem descontado em comparação com o próprio histórico.

Outro dado relevante é o supply em lucro e prejuízo. Quando a quantidade de bitcoins em prejuízo sobe muito, normalmente estamos em momentos ruins de mercado.

E quando ocorre o cruzamento entre bitcoins em lucro e em prejuízo, isso também costuma coincidir com fundos de bear market ou fundos de ciclo.

Mais uma vez, temos um elemento corroborando a ideia de que um fundo pode estar sendo formado.

O ciclo de 4 anos ainda vale?

Eu tenho falado bastante que não acredito que o ciclo de 4 anos vá durar para sempre exatamente como era.

A dinâmica do Bitcoin mudou. O mercado amadureceu. O comportamento de preço já não segue exatamente o mesmo desenho dos ciclos anteriores.

Mas isso não quer dizer que a gente deve ignorar todos os sinais históricos. A parte temporal do ciclo ainda pode ter alguma relevância.

E, quando olhamos para o tempo desde o último fundo, o Bitcoin começa a entrar em uma região muito próxima de ciclos anteriores.

Então, se você acredita que o ciclo de 4 anos ainda existe, estamos validando temporalmente uma ideia de fundo sendo formado. E se você acredita que parte desse ciclo mudou, ainda assim temos várias métricas mostrando que o Bitcoin está ficando bastante descontado.

Leia também: O ciclo de 4 anos do Bitcoin morreu. O que vem agora?

Queda do Bitcoin: compra ou venda?

Voltando à pergunta inicial: a queda do Bitcoin é compra ou venda?

Na minha visão, por mais que ainda possa existir downside, talvez para 55 mil ou 50 mil dólares, a gente tem uma série de indicadores apontando que o fundo está próximo.

E existe uma coisa que não muda tanto no mercado: a psicologia dos investidores.

Quando o mercado vai para o extremo do medo, ou para o extremo da capitulação, geralmente surgem boas oportunidades de acumulação.

E quando todo mundo está ganhando dinheiro, euforia tomando conta, esses costumam ser momentos melhores para reduzir posição e colocar algum dinheiro no bolso.

Então eu penso de duas formas.

Primeiro, para quem está fazendo buy and hold e comprando para uma carteira de longo prazo, momentos como esse podem ser interessantes para fazer DCA. Foi o que eu fiz: comprei mais Bitcoin para a minha carteira de longuíssimo prazo.

Segundo, para quem olha curto e médio prazo, eu acho que vale considerar estratégias complementares, capazes de aproveitar o vai e vem do mercado e ajustar a exposição conforme os sinais ficam mais claros.

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Eu acredito que temos uma boa perspectiva para o Bitcoin olhando médio e longo prazo, e uma boa zona de acumulação responsável olhando curto prazo.

Espero que você tenha gostado deste conteúdo. Obrigado pela leitura.

Como sempre, eu te vejo na próxima semana.