O Bitcoin está em um momento crítico. E, quando isso acontece, o mercado costuma se dividir em dois grupos.

De um lado, os investidores mais impacientes, os “mãos de alface”, que olham para a queda no curto prazo, entram em pânico e vendem no prejuízo.

Do outro, os investidores mais pacientes, os “mãos de diamante”, que conseguem olhar para o mercado com mais calma, segurar suas posições e até reforçar compras em zonas de desconto.

O que separa esses dois grupos não é sorte. É visão, estratégia e capacidade de olhar para o mercado com menos emoção e mais fundamento.

Por isso, no meu novo vídeo no canal da Underblock, eu mostro os gráficos e indicadores que estou acompanhando agora para entender se o Bitcoin vai subir daqui para frente. Se quiser ver o passo a passo completo, com a tela e todos os detalhes práticos, recomendo assistir ao vídeo.

Mas se preferir, pode continuar a leitura: neste artigo, organizei as ideias principais para você entender por que o Bitcoin pode estar em uma zona de oportunidade relevante.

O indicador mais importante do mercado: a ferramenta de zoom

Eu sempre brinco que o indicador mais importante que existe nesse mercado é a ferramenta de zoom.

A gente precisa dar zoom out, tirar o zoom e olhar a figura mais ampla. Principalmente quando o mercado está em um momento emocional, seja de pânico ou de euforia.

Quando você olha só para o curto prazo, é muito fácil tirar conclusões ruins. Você vê o preço caindo, o gráfico vermelho, o mercado nervoso, e começa a pensar que tudo vai desabar para sempre.

Mas quando você olha para o longo prazo, a leitura muda.

O Bitcoin, historicamente, tem muita volatilidade. Isso é óbvio. Mas ele também mostra uma tendência clara de alta no longo prazo. E é justamente por isso que eu gosto de analisar tempos gráficos maiores, como o semanal, o mensal e até o gráfico de seis meses.

A pergunta não é só se o preço caiu. A pergunta certa é: onde essa queda está acontecendo dentro da estrutura de longo prazo?

A média móvel de 200 semanas mostra uma zona importante

No gráfico semanal, eu gosto de olhar a média móvel de 200 semanas.

Essa média pega os últimos 200 períodos do gráfico semanal, tira uma média e plota essa linha no gráfico. Em termos simples, ela ajuda a mostrar uma visão de longo prazo do preço.

Historicamente, o Bitcoin costuma respeitar essa região como suporte durante os bear markets. Em alguns momentos ele pode desviar um pouco abaixo, mas não costuma permanecer de forma consistente abaixo dessa média por muito tempo.

E o ponto importante é que, quando o Bitcoin chega perto dessa região, a gente normalmente entra em uma zona de oportunidade.

Isso não significa que ele não possa cair mais. Também não significa que a alta começa imediatamente. Mas significa que, olhando para o histórico, essa é uma região em que o Bitcoin costuma estar muito mais próximo do chão do que do teto.

Na minha leitura, acima da região dos 85 mil dólares, a gente poderia começar a falar em bull market de verdade. Mas, por enquanto, o mercado ainda está em uma fase de consolidação e formação de fundo.

No gráfico mensal, a leitura continua parecida

Quando eu amplio ainda mais o prazo e vou para o gráfico mensal, a leitura continua muito semelhante.

Usando a média de 50 meses, também dá para ver que essa média funcionou várias vezes como suporte para o preço do Bitcoin ao longo dos bear markets.

Em 2022, houve um desvio abaixo dessa média. Mas mesmo ali, o Bitcoin não ficou operando de forma consistente abaixo dela por muito tempo. Ele desviou, ficou um período abaixo, mas depois voltou a subir.

É por isso que eu olho para esse momento atual como uma região de alto desconto.

De novo: isso não quer dizer que o Bitcoin não possa vir um pouco mais abaixo. Mas mostra que ele já está em uma região historicamente relevante para quem olha com uma perspectiva de médio e longo prazo.

E é aqui que muita gente erra. A pessoa olha só para a queda recente, esquece do contexto maior e toma decisão no pior momento possível.

O que os investidores de longo prazo estão fazendo

Outro ponto importante está nos dados on-chain.

Quando eu olho para os investidores de longo prazo, os long-term holders, ou os “mãos de diamante”, o que aparece é um sinal de convicção.

Esses investidores estão aumentando suas posições em Bitcoin. Eles estão comprando, acumulando, mesmo com o preço caindo.

Para mim, isso é um sinal muito forte.

Se esses investidores estivessem vendendo, isso mostraria pressão vendedora e falta de confiança. Mas quando eles compram em meio à queda, isso mostra que essa região está sendo vista como uma zona de demanda, uma zona de interesse.

Esse é exatamente o tipo de comportamento que eu gosto de observar em momentos de grande desconto.

O percentual de Bitcoins no prejuízo também acende um alerta

Outra métrica importante é o percentual de Bitcoins que estão no lucro ou no prejuízo.

Funciona assim: se uma pessoa comprou Bitcoin a 80 mil dólares e hoje o preço está abaixo disso, esse Bitcoin está no prejuízo. Se outra pessoa comprou a 3 mil dólares, esse Bitcoin está no lucro.

Quando o percentual de Bitcoins no prejuízo se aproxima ou até fica maior do que o percentual em lucro, historicamente isso costuma marcar regiões de fundo no mercado.

Foi assim em grandes fundos anteriores: 2012, 2015, 2018/2019, no Corona Crash, em 2022 com a FTX, e agora estamos vendo novamente uma configuração parecida.

Isso não garante que o fundo já foi feito. Mas mostra que várias métricas estão apitando ao mesmo tempo.

É como se o mercado estivesse mostrando uma espécie de “Black Friday” para Bitcoin, uma região de alto desconto.

O MVRV também mostra uma zona de oportunidade

Outra métrica que reforça essa leitura é o MVRV.

Eu não vou entrar em todos os detalhes técnicos aqui, porque já falei bastante sobre isso em outros vídeos, mas gosto de pensar no MVRV como um termômetro do mercado.

Quando ele chega perto da zona verde, historicamente estamos falando de uma região de altíssimo desconto. Foram poucas as vezes em que o Bitcoin entrou nessa zona, e normalmente ele ficou ali por pouco tempo.

E quando isso aconteceu, foram oportunidades geracionais de compra de Bitcoin descontado.

No último ciclo, por exemplo, havia regiões em que dava para comprar Bitcoin a 15 ou 20 mil dólares e depois ver o preço subir para perto de 120 mil dólares.

Agora, a gente está novamente muito próximo de uma região relevante. Talvez o preço não entre tão fundo nessa zona verde como em ciclos anteriores. Mas, ainda assim, a leitura das métricas on-chain mostra uma zona de oportunidade.

Por isso, quando eu olho para o conjunto dos dados, a minha conclusão é que a probabilidade de o Bitcoin valer mais daqui a 6 ou 12 meses é maior do que a probabilidade de valer menos.

O histórico da média de 200 semanas reforça esse desconto

Também trouxe no vídeo um dado interessante sobre momentos em que o Bitcoin ficou abaixo da média móvel de 200 semanas.

Historicamente, quando o Bitcoin fica tão próximo ou abaixo dessa média, os retornos medianos nos meses seguintes costumam ser muito fortes.

Três meses depois, a mediana histórica mostra alta relevante. Seis meses depois, mais ainda. E em períodos mais longos, como 24 meses, o retorno histórico também foi muito expressivo.

Isso não é garantia de que vai acontecer exatamente igual agora.

O mercado muda. O cenário muda. Nada aqui é promessa.

Mas estatisticamente, pelo histórico do Bitcoin, essa é uma região de desconto. E o mercado cripto, apesar de mudar ao longo do tempo, ainda preserva comportamentos psicológicos muito parecidos: medo, capitulação, excesso de pessimismo e, depois, retomada.

É por isso que a pergunta “Bitcoin vai subir?” não pode ser respondida olhando só o gráfico de uma hora. É preciso olhar para o conjunto dos dados.

O paralelo com 2022 e a quebra da FTX

Um ponto que eu também quis reforçar no vídeo é o paralelo com 2022.

Naquele ano, o Bitcoin fez topo no fim de 2021, perto dos 69 mil dólares, e começou a corrigir. Em junho de 2022, ele já tinha caído muito, chegando perto de 17.800 dólares.

Naquele momento, o Bitcoin já estava extremamente descontado. Ele já tinha caído cerca de 74% desde a máxima.

Depois disso, ainda veio uma descarga final em novembro, com a quebra da FTX. Mas, da mínima de junho até a mínima de novembro, a queda adicional foi de mais ou menos 10%.

O meu ponto é: o mercado já estava muito descontado antes da FTX. A FTX foi o golpe final, um evento de estresse que jogou o preço um pouco mais para baixo.

Trazendo isso para o momento atual, o Bitcoin também já caiu bastante desde sua máxima. Se a gente reproduzisse um cenário parecido com 2022, com mais uma queda adicional, ainda estaríamos dentro de uma zona de oportunidade.

Para cair muito mais, provavelmente precisaríamos de um evento de grande impacto, algo no estilo FTX. Pode acontecer? Pode. O mercado é imprevisível.

Mas, no momento em que gravei o vídeo, a minha leitura era de que esse efeito mais catastrófico parecia um pouco mais descartado.

O gráfico de seis meses deixa a leitura ainda mais clara

O último gráfico que mostrei no vídeo é, para mim, um dos que mais ajudam a sedimentar essa visão.

É o gráfico de seis meses do Bitcoin.

Nesse gráfico, cada barra representa meio ano. E o que chama atenção é que, nos últimos 12 anos, o Bitcoin não teve três barras vermelhas seguidas.

Em 2018, tivemos basicamente dois semestres de queda. Em 2022, também tivemos dois semestres de queda no bear market. E agora, com o encerramento do primeiro semestre de 2026, também acabamos de completar dois semestres de queda.

Mais uma vez: nada é garantido.

Mas historicamente, depois de dois semestres seguidos de queda, o mercado tende a buscar uma base, um ponto de equilíbrio. Isso acontece porque já existe um período prolongado de capitulação.

E quando eu junto isso com as médias móveis, os dados on-chain, o comportamento dos long-term holders, o MVRV e a leitura histórica, tudo me leva a crer que o Bitcoin tem potencial para retomar o processo de alta.

O problema é olhar só para o curto prazo

O investidor desesperado olha para o gráfico de uma hora, vê o preço caindo e pensa: “Caramba, eu preciso vender porque só está caindo”.

O investidor com visão de médio e longo prazo olha para o gráfico maior e enxerga outra coisa: uma tendência de alta de longo prazo, dentro de uma região historicamente descontada.

É claro que isso precisa ser feito com responsabilidade.

Eu não estou dizendo que o Bitcoin vai subir para sempre. Também não estou dizendo para você colocar todo o seu dinheiro nisso.

O ponto é tomar boas atitudes baseadas em fundamentos. Respeitar seus limites de alocação. Não cometer loucuras. E, se fizer sentido para você, aproveitar o momento com estratégia, paciência e consciência.

No fim das contas, para responder se o Bitcoin vai subir, eu prefiro olhar menos para o barulho do curto prazo e mais para os dados que historicamente marcaram grandes zonas de oportunidade.

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Comenta também quanto você acha que o Bitcoin vai chegar no próximo ciclo de alta. Quero saber. Vamos ver quem acerta.

Obrigado pela leitura. Um grande abraço e até a próxima.