Durante muito tempo, o Ethereum foi visto como a principal plataforma do mercado cripto. Para muita gente, ele era a base de uma nova internet descentralizada, capaz de sustentar aplicações financeiras, NFTs, contratos inteligentes e uma infinidade de projetos inovadores. Mas e se parte dessa tese estiver começando a se desfazer?
Nos últimos meses, alguns sinais passaram a chamar atenção de investidores e analistas. A performance abaixo do esperado, a perda de participação para concorrentes e até a venda de posições por alguns dos maiores defensores do ativo levantaram uma dúvida que não pode ser ignorada: será que estamos diante de um cenário de Ethereum em risco?
Por isso, no meu novo vídeo no canal da Underblock, eu mostro exatamente os dados e acontecimentos que estão alimentando essa discussão. Se você quiser acompanhar todas as análises na tela e entender os números em detalhes, recomendo assistir ao vídeo. Mas se preferir, pode continuar a leitura: neste artigo, organizei os principais pontos para ajudar você a entender o que está acontecendo com o Ethereum.
O caso que chamou a atenção do mercado
Tudo começou quando David Hoffman, fundador da Bankless e um dos maiores defensores históricos do Ethereum, anunciou que havia vendido todos os seus ETH.
O fato chamou atenção não apenas pela venda em si, mas pelo histórico de quem estava tomando essa decisão. Durante anos, Hoffman construiu sua carreira defendendo o Ethereum e ajudando a disseminar suas teses para investidores ao redor do mundo.
Quando alguém com esse perfil decide zerar sua posição, o mercado naturalmente começa a fazer perguntas.
E esse não foi um caso isolado.
Além de Hoffman, o mercado também observou vendas realizadas por Vitalik Buterin e por membros ligados à Ethereum Foundation. Isso não significa necessariamente que o projeto esteja condenado, mas certamente é um motivo para investigar mais profundamente o que está acontecendo.
Agora você vai entender melhor os sinais de risco que vêm deixando parte dos investidores cada vez mais desconfiados em relação ao Ethereum e por que a narrativa do ativo passou a ser tão questionada nos últimos anos.
O Ethereum perdeu força em relação ao Bitcoin
Quando analisamos o comportamento dos preços, a diferença fica evidente.
O Ethereum teve uma trajetória extremamente forte desde seu lançamento, especialmente durante os ciclos de alta de 2017 e 2021. Porém, quando observamos o ciclo mais recente, percebemos que ele apenas retornou às máximas anteriores.
O Bitcoin, por outro lado, superou com folga seus recordes históricos.
Essa diferença alimentou um questionamento importante: o Ethereum ainda possui a mesma capacidade de liderança que teve nos ciclos anteriores?
Durante muitos anos existiu a ideia de que o Bitcoin subiria primeiro, depois o Ethereum e, por fim, as demais altcoins. Porém, essa dinâmica já não parece funcionar da mesma forma.
A tese do “Ultrasound Money” começou a enfraquecer
Um dos pontos centrais da narrativa do Ethereum surgiu após sua migração para o modelo Proof of Stake.
A expectativa era simples: com parte das taxas da rede sendo queimadas e uma emissão menor de novas moedas, o Ethereum poderia se tornar um ativo deflacionário ao longo do tempo. Essa tese ficou conhecida como “Ultrasound Money”.
Durante um período, isso realmente aconteceu. Mas os dados mostram que o Ethereum voltou a apresentar características inflacionárias recentemente.
Isso é importante porque uma das principais justificativas para sua valorização futura estava justamente ligada à ideia de escassez crescente. Quando essa narrativa perde força, investidores passam a questionar quais serão os próximos motores de valorização do ativo.
O crescimento das Layer 2 criou um novo desafio
Outro fator relevante foi a explosão das chamadas Layer 2.
Essas soluções foram criadas para aumentar a escalabilidade do ecossistema Ethereum e reduzir custos para os usuários.
O problema é que grande parte das transações migrou para essas camadas secundárias.
Enquanto os rollups passaram a processar dezenas de milhões de transações, a atividade diretamente na rede principal do Ethereum ficou proporcionalmente muito menor.
Ao mesmo tempo, atualizações que reduziram significativamente as taxas da rede beneficiaram os usuários, mas também diminuíram a geração de receita associada ao ecossistema.
E isso afeta diretamente uma das bases da tese deflacionária.
As taxas da rede estão caindo
Os dados apresentados mostram uma redução significativa nas taxas geradas pelo Ethereum quando comparadas aos períodos de maior atividade, especialmente durante 2021 e 2022. Na prática, isso significa menos valor sendo capturado pela rede.
Se há menos taxas sendo pagas e menos ETH sendo queimado, a dinâmica econômica do ativo muda. Esse é um dos principais pontos de preocupação para quem acompanha os fundamentos do projeto.
O que os modelos quantitativos estão mostrando
Ao analisar estratégias quantitativas utilizadas pela Underblock, um dado chamou atenção.
Uma das carteiras monitoradas, que pode alocar recursos entre Bitcoin, Ethereum, Solana e USDT, encontra-se atualmente quase totalmente posicionada em Bitcoin.
Segundo a análise apresentada, isso não significa que o Ethereum deva ser completamente ignorado.
Mas indica que, neste momento, os modelos identificam uma força relativa maior em outros ativos.
O que os algoritmos estão vendo que o mercado ignora
Antes de continuar, eu quero te mostrar uma coisa que tem tudo a ver com essa análise.
Nos últimos meses, eu venho trabalhando em uma plataforma que será lançada oficialmente no dia 15 de junho. A ideia é reunir estratégias automatizadas baseadas em algoritmos quantitativos e inteligência artificial para analisar milhares de dados ao mesmo tempo e ajudar investidores a tomar decisões de forma mais objetiva.
E por que eu estou te mostrando isso aqui?
Porque uma das estratégias disponíveis dentro da plataforma ajuda justamente a enxergar aquilo que muitas vezes passa despercebido quando olhamos apenas para narrativas ou opiniões do mercado.
Um exemplo é a estratégia Top 3, que pode alocar recursos entre Bitcoin, Ethereum, Solana e USDT. Quando eu olho para a composição dela neste momento, vejo algo interessante: a carteira está praticamente concentrada em Bitcoin.

Isso não significa que o Ethereum deixou de ter valor ou que não possa voltar a ganhar força no futuro. Mas mostra que, quando colocamos os dados para trabalhar, o ativo ainda não apresenta a mesma força relativa que gostaríamos de ver neste momento.
É justamente esse tipo de análise que a plataforma busca entregar: decisões baseadas em milhares de informações processadas automaticamente, sem depender apenas de percepções ou opiniões isoladas.
Se você quiser conhecer todos os detalhes, eu vou apresentar oficialmente a plataforma no dia 15 de junho, às 19h.
Mas agora vamos voltar para a análise, porque existe um outro ponto que, na minha opinião, merece bastante atenção quando falamos sobre o futuro do Ethereum.
O Vitalik está vendendo Ethereum?
Um dos dados mais comentados recentemente envolve as carteiras de Vitalik Buterin.
Os registros mostram que o fundador do Ethereum vem reduzindo gradualmente sua quantidade de ETH ao longo do tempo.
É importante destacar que isso pode acontecer por diversos motivos, incluindo despesas pessoais, financiamento de projetos e iniciativas filantrópicas.
Ainda assim, quando o criador de uma plataforma realiza vendas recorrentes, o mercado inevitavelmente presta atenção. A pergunta que surge é simples: se os principais envolvidos estão reduzindo exposição, o que isso pode indicar sobre as perspectivas futuras?
Saídas da Ethereum Foundation aumentam as dúvidas
Outro ponto que me chamou atenção foi a quantidade de saídas dentro da Ethereum Foundation ao longo de 2026.
É claro que mudanças de equipe acontecem em qualquer projeto. Pessoas entram, pessoas saem, e isso faz parte do jogo.
Mas quando eu vejo pesquisadores, desenvolvedores seniores e lideranças deixando a fundação em um espaço relativamente curto de tempo, começo a prestar mais atenção.
Isoladamente, talvez isso não significasse muita coisa. O problema é que esse movimento acontece ao mesmo tempo em que o Ethereum enfrenta dificuldades de narrativa, perde participação para concorrentes e vê algumas de suas principais teses sendo questionadas.
Quando você junta todas essas peças, fica mais difícil ignorar os sinais.
Concorrentes estão ganhando espaço
Enquanto o Ethereum tenta resolver esses desafios, eu vejo outras redes atraindo cada vez mais atenção do mercado.
As duas que mais têm chamado minha atenção são Solana e Hyperliquid.
No caso da Solana, um exemplo interessante é o lançamento das X Stocks, que permitem negociar versões tokenizadas de ações como Apple, Tesla e Nvidia. Na minha visão, esse era exatamente o tipo de aplicação que muita gente imaginava que seria construído primeiro no Ethereum.
Mas a empresa responsável escolheu a Solana. E os motivos são fáceis de entender: custos menores, operação contínua e uma experiência de uso mais simples para o usuário final.
Já a Hyperliquid seguiu um caminho diferente. Em vez de tentar ser tudo para todos, ela decidiu focar em um único problema e resolvê-lo muito bem.
Ela foi construída especificamente para funcionar como uma corretora descentralizada de alta performance. E o resultado tem sido um crescimento expressivo de usuários, geração de taxas relevantes e um mercado disposto a premiar essa especialização.
Quando olho para esses movimentos, vejo cada vez mais capital, atenção e atividade migrando para outras plataformas. E isso ajuda a explicar por que o Ethereum vem encontrando dificuldades para recuperar o protagonismo que já teve em outros ciclos.
o Ethereum acabou?
Não.
Apesar dos desafios, o Ethereum continua sendo um dos ativos mais antigos e relevantes de todo o mercado cripto. Sua infraestrutura permanece extremamente importante e existe total possibilidade de que o projeto consiga superar seus problemas atuais e se reinventar.
Mas o momento exige cautela.
O Ethereum perdeu parte da força narrativa que possuía e enfrenta uma concorrência muito mais intensa do que em ciclos anteriores.
Por isso, a forma como eu tenho me posicionado é bastante simples.
Eu continuo mantendo uma posição em Ethereum, mas uma posição pequena. O suficiente para continuar exposto caso o projeto volte a ganhar força, mas sem abrir mão de oportunidades que hoje, na minha visão, parecem mais interessantes.
Porque uma coisa que eu aprendi nesse mercado é que os cenários mudam rápido.
Se o Ethereum conseguir resolver parte desses problemas, recuperar demanda e reconstruir uma narrativa forte, eu não teria problema nenhum em aumentar minha exposição novamente.
Mas, neste momento, prefiro manter uma postura mais cautelosa e acompanhar de perto os próximos capítulos dessa história.
Então, o Ethereum ainda vale a pena?
A discussão sobre Ethereum em risco não significa que o projeto esteja condenado. O ponto central é que algumas das teses que impulsionaram sua valorização nos últimos anos estão sendo questionadas por dados concretos do mercado.
Menor geração de taxas, crescimento das Layer 2, perda de protagonismo para concorrentes, vendas por figuras importantes e dificuldades narrativas formam um conjunto de fatores que merece atenção.
Ao mesmo tempo, o Ethereum continua sendo uma das maiores plataformas do setor e ainda possui capacidade para se adaptar e recuperar relevância.
Se você gostou desta análise, deixe seu comentário no nosso vídeo dizendo qual é a sua visão sobre o Ethereum e quais outras altcoins você gostaria de ver analisadas por mim.
Obrigado pela leitura.